Aumentar o volume para vencer o barulho do ônibus, da academia ou da rua parece inofensivo, mas pode cobrar um preço alto com o tempo. A relação entre fone de ouvido e perda auditiva não está no acessório em si: o risco depende principalmente do volume, do tempo de exposição e da frequência com que esse hábito se repete.
A audição costuma piorar de forma gradual. Por isso, muitas pessoas só percebem o problema quando começam a pedir para repetir frases, aumentam demais a televisão ou deixam de acompanhar conversas em família. Cuidar agora é uma forma de preservar autonomia e presença nos melhores momentos do dia.
Como o fone de ouvido pode afetar a audição
Dentro do ouvido interno existem células muito delicadas que transformam sons em sinais para o cérebro. A exposição prolongada a sons intensos pode lesar essas estruturas. Diferentemente de uma irritação passageira, essas células não se regeneram naturalmente.
O ponto mais importante é a dose sonora: quanto maior o volume, menor deveria ser o tempo de uso. Ouvir algo alto por poucos minutos pode não causar uma percepção imediata de dano, mas transformar esse padrão em rotina aumenta o risco. Quem usa fones várias horas por dia, especialmente em ambientes barulhentos, tende a elevar o volume sem perceber.
Fones intra-auriculares, que ficam dentro do canal auditivo, não são automaticamente mais perigosos do que modelos maiores. Apesar dos modelos externos(tipo concha) abafam mais os sons externos e em função disso não é necessário aumentar tanto o volume. Um fone de boa qualidade, usado em volume moderado, pode se seguro. Já qualquer modelo reproduzindo música muito alta por longos períodos merece atenção.
Sinais de alerta de perda auditiva por fone de ouvido
Após um show, uma festa ou muitas horas com fones, é possível sentir o ouvido abafado ou um zumbido temporário. Mesmo que a sensação passe, ela deve ser vista como um aviso de excesso de exposição sonora.
Vale procurar uma avaliação auditiva se você ou um familiar percebe situações como dificuldade para entender palavras em locais com várias pessoas falando, necessidade de aumentar o volume da TV, cansaço após conversas ou sensação de que todos falam baixo e sem clareza. O zumbido recorrente também merece investigação.
Há situações que pedem atendimento médico com urgência, como perda auditiva súbita, piora rápida em apenas um ouvido, tontura intensa ou dor forte. Nesses casos, não espere uma consulta de rotina.
Hábitos que reduzem o risco no dia a dia
A regra popular de usar até 60% do volume por até 60 minutos é uma referência útil, mas não substitui a percepção do ambiente e do próprio corpo. Em um local silencioso, talvez seja confortável ouvir abaixo disso.
Prefira fones que isolem bem o ruído externo ou tenham cancelamento de ruído. Eles podem ajudar a ouvir com menos volume, desde que você não use esse benefício para prolongar a exposição sonora. Faça pausas regulares, retire os fones quando não precisar deles e evite dormir ouvindo música ou vídeos por muitas horas.
Também é um bom teste observar se alguém ao seu lado consegue ouvir claramente o que sai do seu fone. Se consegue, o volume está excessivo. Outro sinal é precisar elevar a voz para falar com alguém enquanto está ouvindo áudio.
Jovens, fone de ouvido e perda auditiva
Segundo a OMS (Organização mundial de Saúde) mais de 1 bilhão de pessoas com idade entre 12 e 35 anos correm o risco de perder a audição devido sobretudo à exposição prolongada e excessiva a música alta e outros sons recreativos. Isso pode ter consequências sobretudo devastadoras para sua saúde física e mental, educação e perspectivas de emprego.
“Milhões de adolescentes e jovens correm o risco de perda auditiva como resultado do uso inseguro de dispositivos de áudio pessoais e exposição a níveis sonoros prejudiciais em locais como boates, bares, shows e eventos esportivos”, afirmou Bente Mikkelsen, diretora do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS.
Quando uma avaliação auditiva faz diferença
A perda auditiva não está associada apenas ao uso de fones. Idade, exposição profissional a ruídos, infecções, alguns medicamentos e histórico familiar também influenciam. Por isso, uma avaliação é o caminho mais seguro para entender o que está acontecendo, sem suposições ou culpa.
Quando há indicação de aparelho auditivo, a escolha precisa considerar o grau e o tipo de perda, a rotina, a destreza manual e as necessidades de comunicação da pessoa. Um aparelho discreto pode ser adequado para alguém que trabalha em reuniões; uma solução recarregável pode facilitar o dia a dia; em perdas severas, outras configurações podem oferecer mais suporte. Não existe modelo ideal sem avaliação individual.
Na SONORITÀ Aparelhos Auditivos, em Belo Horizonte, a avaliação e o teste gratuito permitem conhecer a própria condição auditiva e experimentar possibilidades antes de decidir. Se sons e conversas deixaram de ser claros, buscar orientação cedo pode ajudar você a voltar a participar com mais segurança de cada encontro importante.
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Tatiana Guedes Santólia Martini é fonoaudióloga, CRFa 6-3289, especialista em Audiologia – 10.588/35, sócia e diretora clínica da SONORITÀ Aparelhos Auditivos, em Belo Horizonte, com atuação especialmente em seleção, indicação e adaptação de aparelhos auditivos.
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