A TV está em um volume que incomoda a família, mas ainda parece baixa para você? Ou as conversas em restaurantes viraram um esforço cansativo para acompanhar? Situações assim ajudam a entender quando procurar um fonoaudiólogo. A dificuldade auditiva costuma surgir aos poucos e, por isso, muitas pessoas se adaptam sem perceber quanto estão deixando de ouvir e de participar.
Buscar ajuda não significa, necessariamente, que será preciso usar aparelho auditivo. A consulta é o caminho para compreender o que está acontecendo, identificar as necessidades de cada pessoa e receber uma orientação segura. Quanto antes essa investigação acontece, maiores são as chances de preservar a comunicação, a autonomia e o prazer de estar perto de quem importa.
Quando procurar um fonoaudiólogo para a audição
O fonoaudiólogo é o profissional que atua na prevenção, avaliação e reabilitação de alterações da comunicação, incluindo a audição. Na área de audiologia, ele realiza testes, interpreta os resultados e orienta sobre os próximos cuidados, inclusive sobre a adaptação de aparelhos auditivos quando indicada.
Nem toda dificuldade para ouvir tem a mesma causa ou exige a mesma solução. Acúmulo de cera, exposição frequente a ruídos, infecções, envelhecimento natural do sistema auditivo e algumas condições de saúde podem estar envolvidos. Por isso, não vale apostar em soluções caseiras, aumentar continuamente o volume do celular ou adiar a avaliação esperando que o problema desapareça sozinho.
A avaliação também é valiosa para familiares. É comum que filhos, companheiros e cuidadores percebam os sinais antes da própria pessoa, especialmente quando ela começa a se isolar ou responde apenas parte do que ouve. Abordar o assunto com cuidado, sem brincadeiras ou cobranças, pode fazer toda a diferença.
9 sinais de que está na hora de avaliar a audição
Alguns sinais merecem atenção pontual. Outros aparecem em conjunto e se tornam parte da rotina. Em ambos os casos, a avaliação com um fonoaudiólogo ajuda a trocar suposições por respostas claras.
1. Você pede para repetirem com frequência
Pedir “como?” uma vez ou outra é normal. O alerta aparece quando isso ocorre em quase todas as conversas, principalmente com vozes mais baixas, crianças ou pessoas que falam rápido. Muitas vezes, não é falta de atenção: certos sons da fala deixam de ser percebidos com nitidez.
2. Conversar em lugares barulhentos se tornou difícil
Em um almoço de família, restaurante, igreja ou ônibus, parece que todos falam ao mesmo tempo e as palavras se misturam. Essa é uma queixa muito comum em perdas auditivas iniciais. A pessoa até escuta o som, mas tem dificuldade para separar a fala do ruído ao redor.
3. O volume da TV, do rádio ou do celular aumentou
Quando outras pessoas comentam que a televisão está alta, vale observar o padrão. Aumentar o volume pode compensar temporariamente uma redução auditiva, mas não melhora a clareza de todos os sons. Às vezes, mesmo com a TV alta, os diálogos continuam parecendo embolados.
4. Há a sensação de que as pessoas falam baixo ou “para dentro”
É comum atribuir o problema à dicção dos outros. Porém, se essa impressão se repete com pessoas diferentes e em ambientes variados, pode haver uma alteração na percepção de frequências importantes para compreender a fala, como consoantes mais suaves.
5. Você evita encontros e conversas longas
Ouvir com esforço cansa. Por isso, algumas pessoas passam a evitar telefonemas, reuniões, visitas e eventos sociais, mesmo gostando dessas ocasiões. O isolamento pode acontecer de modo silencioso, primeiro pela vergonha de pedir repetição e depois pela sensação de não conseguir acompanhar.
6. Há zumbido, chiado ou apito no ouvido
O zumbido pode ser passageiro, por exemplo, após uma exposição intensa a som alto. Mas, quando é recorrente, persistente ou vem acompanhado de redução da audição, sensação de ouvido tampado ou tontura, merece investigação. O fonoaudiólogo poderá avaliar a audição e orientar os encaminhamentos necessários.
7. A família está preocupada
Às vezes, o sinal mais importante vem de quem convive de perto: respostas que não combinam com a pergunta, dificuldade para ouvir a campainha, perda de informações em consultas médicas ou repetição constante de assuntos já conversados. Escutar essa preocupação não é admitir fragilidade. É uma forma de cuidar da própria independência.
8. Você se expõe ou se expôs muito a ruídos
Trabalho em fábricas, oficinas, obras, trânsito intenso, shows e uso frequente de fones em volume alto podem afetar a audição ao longo do tempo. Mesmo sem queixas evidentes, quem viveu essas situações pode se beneficiar de um acompanhamento preventivo.
9. Houve mudança súbita na audição
Uma perda auditiva repentina, em um ou nos dois ouvidos, precisa de atendimento médico imediato, especialmente se houver tontura intensa, dor, secreção, fraqueza no rosto ou sensação de pressão. Nessa situação, não espere uma consulta de rotina. A rapidez na busca por assistência pode ser decisiva.
Fonoaudiólogo, otorrino e aparelho auditivo: qual é o papel de cada um?
Existe uma dúvida comum: devo marcar consulta com fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista? Os dois profissionais podem fazer parte do cuidado, mas têm atuações diferentes e complementares.
O otorrinolaringologista é o médico que investiga doenças do ouvido, nariz e garganta, solicita exames e trata condições clínicas ou cirúrgicas. O fonoaudiólogo, na área de audiologia, avalia como a pessoa escuta, mede a compreensão da fala e conduz a reabilitação auditiva. Quando há indicação de aparelho, ele participa ativamente da escolha, regulagem e adaptação do recurso.
O aparelho auditivo não funciona como um simples amplificador de som. Um modelo adequado deve considerar o grau e o tipo de perda, o formato do ouvido, a rotina, a destreza para manusear o dispositivo, as expectativas e os ambientes em que a pessoa mais precisa ouvir. Por isso, comprar um aparelho sem avaliação e sem acompanhamento pode trazer frustração, desconforto e pouco benefício.
O que acontece em uma avaliação auditiva
A avaliação começa com uma conversa sobre a rotina e as dificuldades percebidas. O profissional pode perguntar em quais situações ouvir é mais difícil, se há zumbido, exposição a ruídos, uso de medicamentos e histórico familiar. Essas informações são tão relevantes quanto os resultados dos testes.
Em seguida, são realizados procedimentos apropriados para avaliar a audição. A audiometria, por exemplo, verifica quais sons a pessoa consegue perceber em diferentes frequências e intensidades. Também pode haver testes de compreensão de fala, fundamentais para entender como a audição impacta as conversas do dia a dia.
Ao final, a orientação deve ser individualizada. Em alguns casos, basta acompanhar periodicamente ou adotar medidas de proteção auditiva. Em outros, pode ser recomendado passar pelo otorrino antes de qualquer decisão. Quando o aparelho auditivo é indicado, a experimentação prática e os ajustes ao longo do tempo são partes essenciais do processo.
Por que não esperar a dificuldade piorar
Muitas pessoas adiam a avaliação porque ainda “dão conta” de ouvir. Só que dar conta pode significar fazer um esforço constante para entender frases, observar os lábios, pedir repetições e preencher lacunas pelo contexto. Esse desgaste afeta a disposição e pode tirar a espontaneidade dos momentos em família.
A adaptação a aparelhos auditivos também tende a ser mais confortável quando a pessoa começa a usar o recurso antes de se afastar por muito tempo dos sons e das conversas. O cérebro precisa se reacostumar a perceber detalhes sonoros, e esse processo exige acompanhamento, paciência e ajustes bem feitos. Não há uma experiência idêntica para todos, mas há um cuidado que pode ser construído conforme cada necessidade.
Em Belo Horizonte e região metropolitana, a Sonorità Aparelhos Auditivos oferece avaliação auditiva e teste gratuito para que a decisão seja tomada com mais segurança. Conhecer as opções, experimentar e tirar dúvidas sem pressa ajuda a encontrar uma solução compatível com a vida real, não apenas com um resultado de exame.
Ouvir melhor não é somente perceber sons mais altos. É responder sem medo de errar, acompanhar as histórias dos netos, participar de uma conversa à mesa e voltar a se sentir presente. Se algum desses sinais faz parte da sua rotina ou da rotina de alguém da família, agendar uma avaliação pode ser o primeiro passo para resgatar esses momentos.
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Tatiana Guedes Santólia Martini é fonoaudióloga, CRFa 6-3289, especialista em Audiologia – 10.588/35, sócia e diretora clínica da SONORITÀ Aparelhos Auditivos, em Belo Horizonte, com atuação especialmente em seleção, indicação e adaptação de aparelhos auditivos.
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