Aparelho auditivo causa dor? Não, não deveria causar dor. Se o aparelho auditivo causa dor, não tente apenas se acostumar ao incômodo. Um aparelho bem adaptado deve ajudar você a ouvir com mais conforto e segurança, não machucar a orelha, pressionar o canal auditivo ou provocar dor de cabeça. Em muitos casos, uma regulagem simples ou a troca de uma peça resolve a situação.
É comum que quem está começando a usar aparelhos auditivos perceba uma sensação diferente nos primeiros dias. Afinal, o cérebro está voltando a receber sons que ficaram abafados por um tempo, e a presença do dispositivo na orelha também exige adaptação. Mas sensação de novidade é diferente de dor. Quando há ardência, pressão forte, ferida ou desconforto persistente, vale investigar.
Quando o aparelho auditivo causa dor, o que pode ser?
A dor pode ter origens variadas, e identificá-la com precisão faz diferença para evitar abandono do aparelho. Muitas pessoas interrompem o uso por acharem que o problema é inevitável. Na prática, o desconforto costuma indicar que algo na adaptação, na peça ou na saúde do ouvido precisa de atenção.
Em aparelhos retroauriculares, por exemplo, a haste que fica atrás da orelha pode estar pressionando a pele ou ter um tamanho inadequado. Nos modelos que ficam dentro do ouvido, a oliva de silicone ou o molde pode estar maior do que o necessário, mal encaixado ou posicionado de forma incorreta no canal auditivo.
Também existe a possibilidade de acúmulo de cera. Quando há excesso, a entrada do aparelho pode aumentar a pressão no canal e tornar a colocação dolorida. Tentar limpar profundamente o ouvido em casa com hastes flexíveis tende a empurrar a cera para dentro e piorar o problema.
Outro ponto é a regulagem sonora. Volume alto demais não causa, em geral, uma dor física na orelha, mas pode provocar fadiga auditiva, irritação, sensação de pressão, incômodo com ruídos e até dor de cabeça. Esse cenário é mais frequente quando o aparelho foi ajustado sem considerar a rotina, a sensibilidade a sons e o grau de perda auditiva de cada pessoa.
Adaptação inicial ou sinal de que algo está errado?
Nos primeiros dias, é esperado estranhar sons do cotidiano, como água correndo, talheres, passos e o barulho do papel. A própria voz pode parecer mais alta ou diferente. Esse processo melhora gradualmente conforme o cérebro reaprende a selecionar o que merece atenção.
Já a dor não deve ser tratada como normal. Uma leve pressão ao colocar uma oliva nova pode acontecer, especialmente em orelhas sensíveis, mas ela precisa desaparecer logo. Dor que piora durante o dia, machuca ao retirar o aparelho ou deixa a pele vermelha merece avaliação.
Olivas, moldes e encaixe fazem diferença
A oliva é a pequena peça de silicone colocada na entrada do canal auditivo em vários modelos. Ela precisa vedar o suficiente para conduzir o som, mas sem apertar. Uma oliva pequena demais pode deixar o aparelho instável e favorecer microfonia. Uma grande demais pode pressionar a pele e causar dor.
Nos casos em que há molde personalizado, o encaixe deve respeitar o formato da orelha. Não corte, lixe ou force um molde para tentar adaptá-lo por conta própria. Além de comprometer o funcionamento, isso pode criar bordas que ferem a pele. O caminho seguro é levar o aparelho para uma avaliação profissional.
O que fazer quando o aparelho está machucando
Se houver dor ao usar, retire o aparelho e examine apenas a parte externa da orelha. Procure sinais como vermelhidão, rachadura, ferida, inchaço ou sensibilidade ao toque. Não volte a colocar o dispositivo se a pele estiver lesionada, pois o atrito pode agravar a irritação.
Em seguida, confira se a oliva, o tubo ou o molde estão limpos e bem posicionados. Resíduos de cera ou umidade podem alterar o encaixe. Use somente os produtos e procedimentos de limpeza orientados para o seu modelo, evitando álcool, água em excesso ou objetos pontiagudos.
Se o aparelho foi comprado recentemente, o ideal é retornar ao centro auditivo que fez a adaptação. O profissional pode testar tamanhos de olivas, revisar o posicionamento, ajustar o nível de amplificação e avaliar se o modelo escolhido atende às necessidades da sua rotina. Esse acompanhamento é parte essencial da reabilitação auditiva.
Para quem mora em Belo Horizonte e região metropolitana, a SONORITÀ Aparelhos Auditivos oferece avaliação e teste gratuito, permitindo que o ajuste seja feito com orientação individual. Ouvir melhor não deve significar conviver com incômodo.
Sinais de alerta para procurar atendimento de saúde
Nem toda dor está relacionada diretamente ao aparelho. Há situações em que o ouvido precisa ser avaliado por um médico, antes de qualquer novo ajuste. Procure atendimento se houver:
- dor forte, pulsante ou que não melhora após retirar o aparelho;
- saída de secreção, sangue ou mau cheiro no ouvido;
- febre, tontura intensa ou perda súbita de audição;
- inchaço importante, coceira persistente ou ferida no canal auditivo;
- dor após queda, pancada ou tentativa de limpeza profunda.
Infecções, dermatites, lesões e alterações no ouvido médio podem causar desconforto e exigem o cuidado adequado. Nesses casos, insistir no uso do aparelho sem orientação pode atrasar a recuperação.
A regulagem do som também pode causar desconforto
Quando alguém volta a ouvir sons há muito tempo pouco percebidos, é natural achar o ambiente barulhento. Porém, não é necessário aumentar tudo de uma vez. A adaptação auditiva costuma ser progressiva, respeitando a tolerância da pessoa.
Uma boa programação considera o resultado da avaliação auditiva, mas não para por aí. Conversas em família, televisão, restaurantes, igrejas, trânsito e reuniões têm desafios diferentes. Relatar em quais situações o som incomoda ajuda o fonoaudiólogo a ajustar o aparelho de forma mais precisa.
Modelos modernos podem contar com recursos para reduzir ruído, destacar a fala e se adaptar a diferentes ambientes. Ainda assim, a tecnologia só entrega bons resultados quando está bem configurada. O melhor aparelho não é necessariamente o menor ou o mais avançado: é aquele que combina com a perda auditiva, a anatomia, a destreza manual e a rotina do usuário.
Como prevenir dor e manter o uso confortável
Manter uma rotina de cuidados reduz bastante a chance de irritação. Coloque o aparelho com calma, sem empurrá-lo à força, e retire-o antes do banho, da piscina ou de dormir. A pele precisa de descanso, principalmente no início da adaptação.
A limpeza diária deve ser delicada e feita conforme o tipo de aparelho. Além disso, as revisões periódicas permitem identificar desgaste de olivas, tubos e moldes antes que eles se transformem em um problema. Para familiares e cuidadores, vale observar se a pessoa idosa passou a retirar o aparelho com frequência ou evita usá-lo: muitas vezes, ela sente incômodo, mas não sabe explicar.
Dor não deve afastar você de conversas, risadas e encontros que fazem parte da sua vida. Com uma avaliação cuidadosa e o ajuste certo, o aparelho auditivo pode voltar a ser o que ele precisa ser: um apoio discreto para que você participe dos melhores momentos do seu dia com mais segurança e tranquilidade.
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Tatiana Guedes Santólia Martini é fonoaudióloga, CRFa 6-3289, especialista em Audiologia – 10.588/35, sócia e diretora clínica da SONORITÀ Aparelhos Auditivos, em Belo Horizonte, com atuação especialmente em seleção, indicação e adaptação de aparelhos auditivos.
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