O barulho no trabalho pode parecer apenas parte da rotina, mas a exposição repetida tem consequências. As profissões que causam perda auditiva geralmente envolvem ruídos intensos, vibração, máquinas ou música em alto volume por muitas horas. O problema costuma se instalar aos poucos, o que faz muitas pessoas demorarem a perceber que precisam de ajuda.

A perda auditiva induzida por ruído pode afetar conversas em família, a compreensão de falas em ambientes movimentados e até a segurança durante o expediente. Reconhecer os riscos e agir cedo é uma forma de preservar a audição e a qualidade de vida.

Quais profissões têm maior risco de perda auditiva?

O risco não depende apenas de um som extremamente alto em um único dia. O principal fator é a combinação entre intensidade e tempo de exposição. Como referência, ruídos contínuos a partir de 85 dB(A) durante uma jornada de oito horas já exigem atenção e medidas de proteção.

Operários da construção civil e indústria

Marteletes, serras, britadeiras, prensas, compressores e equipamentos de corte produzem ruídos muito elevados. Profissionais de fábricas, metalúrgicas, marmorarias, oficinas e canteiros de obras podem estar expostos diariamente, mesmo quando o ambiente parece “normal” para quem trabalha ali há anos.

O uso correto do protetor auricular é indispensável, mas não elimina a necessidade de acompanhamento. Um equipamento mal colocado, inadequado para o ruído ou usado somente em parte do expediente reduz bastante a proteção.

Motoristas, cobradores e profissionais de transporte

Quem dirige caminhão, ônibus, trator, empilhadeira ou outros veículos pesados convive com motor, trânsito, buzinas e vibrações. Em alguns casos, o ruído não é tão intenso quanto o de uma máquina industrial, mas a exposição prolongada por muitos anos merece cuidado.

Além da audição, o barulho constante pode aumentar o cansaço e dificultar a concentração. Por isso, avaliações periódicas são especialmente valiosas para profissionais que passam o dia em vias movimentadas ou em áreas operacionais.

Músicos, DJs e profissionais de eventos

Palcos, casas de show, igrejas, estúdios, festas e eventos esportivos fazem parte de ambientes onde o volume costuma ultrapassar níveis seguros. Músicos e técnicos de som podem desenvolver zumbido após apresentações e encará-lo como algo passageiro. Esse é um alerta que não deve ser ignorado.

Fones de ouvido em volume alto também ampliam a exposição. Para esse grupo, protetores auditivos específicos podem ajudar a reduzir o impacto do som sem comprometer tanto a percepção musical.

Profissionais de aeroportos e áreas portuárias

Equipes de pista, manutenção aeronáutica, abastecimento, operações portuárias e manuseio de cargas trabalham perto de turbinas, aeronaves, guindastes e equipamentos pesados. Nesses locais, a proteção auditiva faz parte da segurança do trabalho e precisa ser respeitada com rigor.

Mesmo com os equipamentos de proteção individual, a audiometria ocupacional é fundamental para acompanhar possíveis alterações ao longo do tempo.

Policiais, militares e profissionais de segurança

Treinamentos de tiro, operações e uso frequente de armamentos expõem policiais, militares, instrutores e seguranças a ruídos de impacto. Esses sons são curtos, porém intensos, e podem causar danos importantes, principalmente sem proteção adequada.

Sinais de que o trabalho pode estar afetando sua audição

A dificuldade auditiva nem sempre começa com a sensação de “não ouvir nada”. Muitas pessoas percebem primeiro que precisam aumentar o volume da televisão, pedem para repetirem frases ou têm dificuldade para acompanhar conversas em restaurantes e reuniões.

Zumbido, sensação de ouvido tampado, incômodo exagerado com sons altos e dificuldade para entender vozes quando há ruído ao redor também merecem investigação. Se esses sintomas aparecem depois de um turno de trabalho ou se tornam frequentes, não espere que desapareçam sozinhos.

Como reduzir os riscos no dia a dia

A empresa deve oferecer orientação, controle do ruído e equipamentos apropriados, mas o trabalhador também tem um papel ativo. Utilizar o protetor auricular durante todo o período de exposição, seguir as instruções de ajuste e substituir o equipamento quando ele estiver danificado são atitudes essenciais.

Também ajuda fazer pausas em locais silenciosos quando isso for possível e evitar som alto fora do trabalho. Quem passa o dia exposto a máquinas ou motores não deve somar esse risco ao uso prolongado de fones no volume máximo.

A audiometria periódica é outro cuidado decisivo. Ela identifica alterações antes que a dificuldade se torne mais evidente e orienta os próximos passos. Quando já existe uma perda auditiva, a reabilitação com aparelhos auditivos selecionados de forma individual pode devolver mais segurança para conversar, trabalhar e participar dos momentos importantes.

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Tatiana Guedes Santólia Martini é fonoaudióloga, CRFa 6-3289, especialista em Audiologia – 10.588/35, sócia e diretora clínica da SONORITÀ Aparelhos Auditivos⁠, em Belo Horizonte, com atuação especialmente em seleção, indicação e adaptação de aparelhos auditivos.