É uma frase que costuma vir acompanhada de preocupação, cansaço e até conflitos em família. Talvez ele aumente muito o volume da TV, peça para repetirem as frases ou se afaste das conversas. Ainda assim, quando o assunto é aparelho auditivo, a resposta pode ser imediata: “não preciso disso”.

Essa resistência é comum e não significa que ele não queira ouvir melhor. Muitas vezes, ela revela medo de parecer dependente, receio de gastar dinheiro sem resultado ou experiências antigas com modelos desconfortáveis e pouco naturais. O caminho mais eficaz não é insistir no aparelho, mas entender o que está por trás da recusa.

Por quê meu pai não aceita usar aparelhos auditivos?

Para muitas pessoas, admitir uma dificuldade auditiva parece admitir a passagem do tempo ou uma perda de autonomia. Esse peso emocional é real. Seu pai pode associar aparelhos grandes, chiados, incômodo ou vergonha, mesmo que a tecnologia atual ofereça opções discretas, recarregáveis e ajustadas às necessidades de cada pessoa.

Também existe uma diferença importante entre perceber que algo mudou e aceitar buscar ajuda. Ele pode acreditar que os familiares falam baixo, que a televisão está com defeito ou que “todo mundo murmura”. Em vez de confrontar essa percepção, vale observar exemplos do cotidiano: telefonemas que ele evita, respostas fora de contexto, dificuldade em restaurantes ou encontros familiares e a necessidade de ler os lábios para acompanhar uma conversa.

A perda auditiva não afeta somente o volume dos sons. Ela exige mais esforço mental para compreender as palavras, especialmente quando há ruído ao redor. Com o tempo, esse esforço pode levar à irritação, ao cansaço e ao isolamento de situações que antes davam prazer.

Como conversar sem transformar o assunto em uma disputa

A conversa precisa proteger a dignidade dele. Evite frases como “você não escuta nada” ou “você precisa usar aparelho”. Embora venham de uma preocupação legítima, elas podem soar como cobrança. Prefira falar sobre situações concretas e sobre o que toda a família sente falta.

Você pode dizer: “Percebi que o almoço em família ficou mais cansativo para você quando todos falam ao mesmo tempo. Queria encontrar um jeito de tornar esses momentos mais confortáveis.” Assim, o foco deixa de ser uma limitação e passa a ser qualidade de vida, convivência e autonomia.

Escolha um momento tranquilo, sem tentar convencer seu pai no meio de uma discussão ou quando ele acabou de pedir para repetirem algo. Escute a resposta com atenção. Se ele disser que tem medo de o aparelho incomodar, pergunte o que exatamente o preocupa. Caso o receio seja financeiro, explique que uma avaliação permite conhecer as possibilidades antes de decidir. Se o motivo for não quero “ficar dependente”, reconheça esse sentimento e mostre que ouvir melhor pode justamente ajudar a preservar a independência.

Convide para uma avaliação, não para uma compra

Um dos maiores erros é apresentar a consulta como se a decisão já estivesse tomada. A avaliação auditiva serve para entender se há perda, qual é o grau e quais situações trazem mais dificuldade. Em alguns casos, o problema pode exigir investigação médica, como presença de cerume, infecção ou alterações que precisam de outro tipo de cuidado.

Quando há indicação de aparelho, o profissional avalia características que fazem diferença no uso diário: grau da perda, destreza manual, rotina, preferência estética, ambiente de trabalho ou convívio social e facilidade para carregar o dispositivo. Não existe um único modelo ideal para todos.

Na SONORITÀ Aparelhos Auditivos, em Belo Horizonte e região metropolitana, a pessoa pode realizar uma avaliação e experimentar soluções auditivas antes da compra. Essa experiência prática reduz a insegurança porque seu pai não precisa imaginar como será ouvir com um aparelho: ele pode sentir a diferença em uma conversa orientada e tirar dúvidas com calma.

Ajude seu pai a ter controle sobre a decisão

A participação da família é valiosa, mas o usuário precisa se sentir protagonista. Em vez de falar por ele durante todo o atendimento, acompanhe, ajude a lembrar exemplos e deixe espaço para que ele conte suas próprias dificuldades e preferências.

É útil explicar que adaptação não costuma ser instantânea. O cérebro precisa reaprender a perceber sons que ficaram menos presentes ao longo do tempo, como o barulho de uma torneira, passos ou o toque de uma campainha. Nos primeiros dias, alguns sons podem parecer diferentes ou mais intensos. Ajustes profissionais e uso gradual fazem parte do processo.

Acompanhar os retornos, incentivar o uso conforme a orientação e celebrar ganhos pequenos ajuda muito. Talvez ele volte a entender melhor os netos, participe de uma conversa sem pedir repetição tantas vezes ou assista à televisão em um volume mais confortável para todos. Esses resultados concretos costumam ser mais convincentes do que qualquer argumento.

Se ele ainda disser não, respeite o tempo dele. Mantenha a porta aberta, retome o assunto com delicadeza em outro momento e convide-o para conhecer a avaliação como um cuidado com a própria autonomia. Ouvir melhor não é mudar quem ele é: é voltar a participar dos momentos que importam.

 

SONORITÀ

 

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Tatiana Guedes Santólia Martini é fonoaudióloga, CRFa 6-3289, especialista em Audiologia – 10.588/35, sócia e diretora clínica da SONORITÀ Aparelhos Auditivos⁠, em Belo Horizonte, com atuação especialmente em seleção, indicação e adaptação de aparelhos auditivos.

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